Quanto sua oficina precisa faturar para pagar as contas? Como calcular o ponto de equilíbrio da gestão de oficina
Na gestão de oficina, o faturamento de equilíbrio sai dos gastos fixos divididos pela proporção da margem. Confira o caixa antes dos vencimentos
Não existe um valor único que sirva para toda oficina. A estrutura, as peças e a forma de receber mudam de oficina para oficina. O que existe é um cálculo que você faz com os seus números.
E tem uma pegadinha aí. Uma coisa é faturar o suficiente para cobrir os custos. Outra coisa é receber a tempo de pagar as contas. Carro saindo não é dinheiro sobrando. O cartão ainda vai cair.
Separe os gastos da operação das saídas de dinheiro
Antes de qualquer conta, você precisa separar três coisas que se misturam no dia a dia: gastos da estrutura, custos que acompanham cada venda e movimentações que mexem no caixa sem serem despesa operacional.
Gastos da estrutura são aqueles que existem mesmo se nenhum carro entrar na semana. Aluguel, salários da equipe fixa e honorários contábeis entram aqui. Fixo não significa que o valor nunca muda. Significa que não acompanha diretamente cada venda.
Custos e despesas variáveis acompanham a venda. Peças aplicadas, tributos sobre vendas e taxas de recebimento são exemplos. Inclua só o que se aplica à sua oficina.
A retirada do dono precisa aparecer, mas com cuidado. Separe a remuneração pelo seu trabalho das retiradas de lucro. A remuneração pelo trabalho entra na estrutura. Retiradas adicionais entram no controle de caixa, não como despesa operacional.
Peça comprada e parada no estoque não é custo do mês. Para apurar o resultado, considere o custo das peças vendidas ou aplicadas. No caixa, considere os pagamentos aos fornecedores conforme os vencimentos.
Compra de equipamento e amortização do principal de empréstimo exigem dinheiro, mas não entram inteiras como despesa operacional do período no cálculo do equilíbrio. Separe esses compromissos na conferência de caixa e valide o tratamento contábil quando necessário.
Descubra quanto das vendas fica para pagar a estrutura
Somar as contas do mês não responde quanto você precisa faturar. Vender também gera custo. O que sobra depois de pagar a peça é o que paga a estrutura.
Essa sobra tem nome: margem de contribuição. É o valor das vendas que resta depois de descontar os custos e despesas variáveis dessas vendas. Essa sobra ainda precisa pagar a estrutura antes de virar lucro.
A conta em palavras é simples:
- Margem de contribuição em dinheiro = faturamento líquido de cancelamentos e descontos menos custos e despesas variáveis correspondentes
- Proporção da margem de contribuição = margem de contribuição em dinheiro dividida pelo faturamento usado no cálculo
Use vendas e custos do mesmo período. Não misture vendas realizadas com recebimentos de vendas antigas. Não desconte novamente um custo que já entrou na conta.
Calcule com a combinação real de peças e serviços que a sua oficina vende. Se essa combinação mudar, se os descontos mudarem, se o custo das peças mudar, a parcela disponível para pagar a estrutura muda junto.
Calcule o faturamento necessário para cobrir a operação
Com a proporção da margem em mãos, o ponto de equilíbrio sai de uma divisão:
- Faturamento de equilíbrio = gastos fixos da operação divididos pela proporção da margem de contribuição
Use a proporção em formato decimal na divisão, não o valor monetário da margem. O resultado é o faturamento necessário para a margem de contribuição cobrir a estrutura, mantidas as condições de vendas e custos usadas no cálculo.
Se as vendas não deixarem contribuição positiva, essa fórmula não entrega um ponto de equilíbrio válido. Nesse caso, revise preços, descontos e custos antes de estabelecer meta de faturamento.
E atenção: alcançar o equilíbrio não significa gerar lucro para distribuir, formar reserva ou financiar expansão. Esses objetivos entram à parte, depois que a operação se sustenta.
O cálculo se preenche com os registros da sua operação. Se você ainda não tem esses registros organizados, vale começar entendendo como calcular o valor da sua hora para ter uma base de preço que sustente a conta.
Confira se os recebimentos chegam antes dos vencimentos
Faturar o suficiente é uma parte. Receber a tempo é outra. A conta vence antes do recebimento e o caixa fica curto mesmo quando a operação cobre seus custos.
Como orientação geral, organize três colunas: saldo disponível, recebimentos previstos e pagamentos por vencimento. Nos recebimentos de cartão, consulte as condições efetivas da maquininha, incluindo taxas e eventual antecipação.
A conferência em palavras é:
- Saldo disponível mais recebimentos previstos menos pagamentos previstos
A ordem dos vencimentos importa. O total do mês pode esconder falta de dinheiro antes de um recebimento.
Separe recebimentos de clientes de empréstimos e aportes do dono. Dinheiro emprestado pode cobrir um vencimento, mas não demonstra que a operação atingiu o equilíbrio. Faturamento não é lucro.
Use um modelo para conferir resultado e caixa
Para repetir essa conta sem começar do zero, monte dois quadros.
O primeiro é o quadro de resultado, com estes campos:
- Período analisado
- Faturamento líquido de cancelamentos e descontos
- Custos e despesas variáveis correspondentes
- Margem de contribuição em dinheiro
- Proporção da margem
- Gastos fixos
- Faturamento de equilíbrio
O segundo é o quadro de caixa, separado:
- Saldo disponível
- Recebimentos previstos por data
- Pagamentos previstos por vencimento
- Compras de estoque
- Equipamentos
- Compromissos de empréstimos
- Retiradas adicionais do dono
- Saldo após cada movimentação
Os campos detalhados de caixa servem para classificar os pagamentos, não para somá-los de novo. Não conte a mesma despesa duas vezes. Registre cada movimentação uma única vez.
Confira os registros com extratos, contas e documentos. Não misture dinheiro pessoal com dinheiro da oficina. Reveja a conta quando os custos ou a combinação de vendas mudarem.
O Chave Dez tem caixa e contas, contas a pagar e a receber, categorias de gasto e importação de extrato OFX. O resultado do mês mostra quanto entrou, saiu e sobrou, ponto de equilíbrio e metas. Esses registros ajudam na conferência dos números. Para organizar o financeiro sem depender do caderno, vale ver como funciona o controle de contas a pagar e receber.
Se a pergunta agora é quanto custa resolver esse problema de organização, o Chave Dez tem um plano para oficina mecânica que começa com opção gratuita.